28 julho 2009

Coral na Folha da Manhã


SOBRE NOVO PALCO

Olhares atentos. O murmúrio do público na platéia sinalizava a ansiedade pelo o que estava por vir com o abrir das vermelhas cortinas do Teatro de Bolso Procópio Ferreira. Sob o comando de Jardel Maia, o coro "Arte em canto" soltou a voz no espetáculo "Luz, câmera, canção", sábado e domingo últimos. A Folha foi a primeira a anunciar os problemas com o palco, que cedeu durante uma aula do curso de livre de teatro, em abril, e acompanhou de perto as reformas. No domingo, a equipe de reportagem retornou ao teatro, mas com o propósito de conferir a reforma e a abertura da temporada das apresentações de 2009. A casa lotada nos dois dias de apresentação, no retorno dos espetáculos após a reforma, dá novo fôlego para os artistas da região.

Sentimentos em forma de canção. Cada bloco intercalado com cenas e trilhas de filmes que marcaram gerações foi produzido pelo maestro Jardel Maia e supervisionadas por Márlio Vasconcelos. Uma apresentação nos parâmetros de uma entrega de Oscar americano foi feita pela jornalista e cantora Kamilla Coutinho, que esbanjou carisma em sua performance recheada de irreverência. A iluminação de Emílio Lucas e a música ambiente completaram o cenário do show. De um lado a percussão de Vitor Vieira dava o ritmo, que era correspondido pelo som dos teclados da pianista Tânia Ferreira. Foi o conjunto destes elementos que deu harmonia ao evento.

Os cantantes, com idades entre 13 e 25 anos, deram seu recado com um repertório eclético e coreografias ousadas. Eternas canções, que consagraram filmes em todo mundo, com novos arranjos musicais, emocionaram o público que foi conferir o musical. Entre as músicas interpretadas estavam "Sorri", do filme "Tempos Modernos"; "A luz de Tieta", de "Tieta do Agreste"; "E tudo é jazz", de Chicago; "A bela e a fera" e "Um mundo ideal", temas de "A bela e a fera" e de "Alladin", da Disney.

A corista Alyne Bairral está há cinco anos no "Arte em Canto". Hoje, aos 19 anos, diz que cresceu escutando música de todos os estilos.

- Atuo como soprano, que é a voz mais alta entre as vozes femininas do coro. Com Jardel, nós aprendemos muito sobre música e, principalmente, crescemos como indivíduos. Em cada espetáculo, somos envolvidos com a cultura mundial através das canções que trans-passaram tempo - disse a moça.


O GRUPO

"Arte em canto" é composto pelas sopranos Ana Carolina Marques, Anyne Bairral, Bettina Carneiro, Ester Freitas, Fabiana Nogueira, Gabriela Mesquita, Isadora Mérida, Laís Freitas, Laura Linhares, Luiza Linhares, Luiza Ribeiro Machado, Maria Letícia Terra, Paula Lacerda e Thaís Buchaul; pelas contraltos Anna Carolina Santiago, Camila Tinoco, Jéssica Teixeira, Lydia Tucci e Maria Alice Terra; pelos tenores Felipe Martins, Gleidson Martins, Luiz Cláudio Rangel e Matheus Sathler e pelos barítonos Alfredo dos Santos Maia e Luiz Gustavo Soares.

O musical "Luz, câmera, canção", segundo Dedé Muylaert, diretor do Teatro de Bolso Procópio Ferreira, foi uma ótima pedida para reestréia do palco do teatro.

- Há muitos anos não se fazem musicais em Campos. Este musical mistura à poesia, música, dança e irreverência, sentimentos apreciadas pelas pessoas. Ainda mas, em tempos como os de hoje, quando a alegria parece ser uma matéria-prima escassa, quase que em extinção - analisou Dedé.
"Luz, câmera, canção" esteve em cartaz em São João da Barra no último mês e segue a turnê 2009 por Rio das Ostras, São Paulo e Minas Gerais. Ao final da apresentação, o público dirigiu-se ao maestro Jardel Maia para saber sobre novas datas de apresentação na cidade. Jardel respondeu que torce para que novos convites surjam no cenário.

[Maria Fernanda Crispim - Folha da Manhã - 19 de maio de 2009]

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